Conscin nonagenária

Conscin nonagenária

 

A Conscin nonagenária é a personalidade humana longeva, homem ou mulher, pertencente à quarta idade biológica, vivendo o período entre 90 e 99 anos de idade, na vida intrafísica. São os noventões, noventonas, pré-centenários, sêniores, longevos, superidosos, etc.

O fenômeno do envelhecimento é complexo e multifacetado, abrangendo dimensões biológicas, psicológicas, sociais, demográficas, jurídicas, políticas, éticas e filosóficas em torno do prolongamento da vida humana, no âmbito do indivíduo e da sociedade (Giacomin, 2012).

No dia 1 de outubro comemora-se o Dia Nacional do Idoso e o Dia Nacional da Terceira Idade. Trata-se de uma parcela que cresce na população brasileira e global, o que torna pertinente refletirmos sobre esse tema. Ou porque temos alguém da família nessa faixa etária, ou porque, se cuidarmos bem da saúde, temos aumentadas nossas chances de chegar lá.

Os brasileiros que atingiram mais de nove décadas de vida somavam 775 mil em 2019. Em termos demográficos, são menos de 0,5% da população, porém, junto com os octogenários, formam o grupo etário que mais cresce proporcionalmente. Em 2050, eles serão quase 3,5 milhões.

Alguns deles aproveitam a vida na quarta idade bem melhor do que os mais jovens, incluindo aí as turmas dos 70 e 80 anos (ISTO É, 2019). Segundo o professor Waldo Vieira, a quarta idade é o espaço de tempo definido socioculturalmente da pessoa vivendo a partir dos 80 anos e 1 dia de idade física em diante (HSR, 2004, p. 992).

Enquanto estatísticas, importante destacar também que a população total do país foi estimada em 212,7 milhões em 2021, o que representa um aumento de 7,6% ante 2012. Nesse período, a parcela de pessoas com 60 anos ou mais saltou de 11,3% para 14,7% (IBGE, Censo 2020).


PESQUISAS LEVANTADAS

A título de contextualização, seguem elencadas abaixo algumas pesquisas relacionadas ao tema realizadas por essa pesquisadora, que também é autora do verbete sobre o tema Conscin Nonagenária (Enciclopédia da Conscienciologia):

⦁    A Década do Envelhecimento Saudável nas Américas de 2021 a 2030 foi declarada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em dezembro de 2020. “Este anúncio manda um sinal claro de que é apenas trabalhando unidos, dentro do sistema das Nações Unidas e com governos, sociedade civil e setor privado, que poderemos não apenas adicionar anos à vida, mas também vida a estes anos”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) (OPAS, 2020).

⦁    “A melhor coisa que pode nos acontecer é envelhecer”. A afirmação é do doutor Alexandre Kalache, expert em questões relacionadas à longevidade e envelhecimento amplamente reconhecido no cenário internacional e referência nacional em envelhecimento e qualidade de vida. Kalache é médico, gerontólogo, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, pesquisador em saúde pública e tem como projeto de vida envelhecer melhorando a vida dos idosos (Bardanachvili, 2021).

⦁    O cirurgião brasileiro Nobolo Mori, de Mogi das Cruzes SP, aos 99 anos, esbanja saúde e disposição graças a uma rotina que combina alimentação saudável, prática diária de esportes e estudos sobre a essência da vida (O DIÁRIO 09/12/2022). Em outra publicação, doutor Mori disse que com os avanços da medicina e da qualidade de vida nas últimas décadas, os nonagenários não só deixaram de ser raridade, como vêm demonstrando que podem, sim, levar uma vida ativa e prazerosa (Revista Veja, 18/06/2021).

⦁    O explorador Dan Buettner identificou cinco “Zonas Azuis” (Blue Zones) em suas pesquisas no projeto Quest Network, em diferentes partes do planeta, onde a população local tem longevidade, menor taxa de doenças e qualidade de vida. São elas: ilha de Okinawa (Japão); a cidade de Loma Linda (na Califórnia/EUA); a ilha de Icária (Grécia); a ilha na Sardenha (Itália), e a península de Nicoya (na Costa Rica). Escritor e palestrante motivacional, Dan Buettner revela o que encontrou no documentário Como Vviver até os 100 Anos: os segredos das zonas azuis, lançado no Netflix, em 2023.

⦁    Ser nonagenário é ser marcado pela individualidade. É mais fácil enfrentar esta etapa da vida se as experiências anteriores foram percebidas como satisfatórias e as memórias mantidas como recurso auxiliar e fortalecedor. Reavaliar pendências e desejos não realizados pode ser fator importante na manutenção de sentido de vida, porém também pode gerar frustração, muitas vezes traduzidas por queixas físicas e sociais (Murakami, 2014).


EXPERIÊNCIAS PESSOAIS

Meu interesse pelo assunto surgiu no início de dezembro de 2021, quando meu sogro, nonagenário, na época com 94 anos, veio passar 15 dias na nossa casa, tempo para que sua esposa se recuperasse de tratamento a que havia se submetido.

Mas, por motivos alheios à sua vontade, não pode retornar ao convívio com sua companheira, passando a morar conosco. Nossa convivência durou apenas 10 meses, uma vez que ele dessomou em setembro de 2022, tempo suficiente para que a convivência resultasse em reconciliações grupocármicas.

MUDANÇA DE ROTINA

Tínhamos uma rotina leve e tranquila. Residíamos na mesma casa, eu, meu esposo e minha filha. Com a chegada do sogro, precisamos modificar nossos costumes para acomodá-lo adequadamente.

O acolhemos em nossa casa sem titubear pelo fato de meu esposo ser filho único. Imediatamente mudamos nossa rotina para atendê-lo de acordo com suas necessidades. As coisas aconteceram muito rápido, causando surpresa e um pouco de medo de não dar conta.

Com orientação profissional, ajustamos nossa rotina diária e fomos nos adaptando à nova realidade. Eliminamos tapetes, otimizamos o banheiro com barras de apoio, ambientamos seu quarto e recuamos os móveis da casa deixando trânsito livre, facilitando sua mobilidade pois utilizava andador.

Nas idas e vindas ao quarto, escritório, varanda, banheiro, cozinha e outros espaços da casa, ele caminhava incansavelmente, requerendo nossa atenção continuada. Meu esposo percebeu que havia chegado a hora de retribuir o que recebera dos seus pais. E o mais incrível é que a inversão dos papéis provocou ansiedade e preocupação nele e a todos da casa.

Foi muito importante neste contexto a minha autoconscientização e de minha filha quanto ao Paradigma Consciencial. Percebemos que se esta demanda assistencial havia chegado é porque tínhamos condições de atendê-la, e assim o fizemos, assumindo o papel de arrimo evolutivo, em particular do pai e do filho, no caso, meu esposo.

O arrimo evolutivo está, em primeiro lugar, nos autesforços da própria consciência, depois, sim, na assistência fraterna dos componentes do grupocarma (DAC p. 308).


GRUPOCARMA

Compreendemos a importância do convívio grupocármico no processo evolutivo como também compreendemos que na família há o tempo de estarmos mais próximos e há o tempo de nos distanciarmos.

Ou seja, quando os filhos são dependentes de nós, ficamos juntos subsidiando com os recursos essenciais ao seu crescimento fisiológico, emocional, autocognitivo e material. Quando crescem, cada um assume sua vida e conquista autonomia em sua caminhada.

Com o fato da inserção de um nonagenário em nossa residência, nossa filha entendeu ser oportuno ter o próprio espaço mudando-se para um apartamento próximo. Foi bom para todos contribuindo para maior aproximação de meu esposo e minha, com meu sogro. Além do que, nós também já estamos adentrando na fase da terceira idade.

A nova experiência me proporcionou um novo olhar pela existência da minha mãe, também nonagenária, na época com 93 anos e uma lucidez incrível. Por opção, ela morava com nossa irmã caçula em Campo Grande/MS, em área semi-rural, por mais de vinte anos, até sua dessoma no dia 01 de julho de 2023.

Minha mãe foi exemplarista, por toda sua vida, trabalhou muito e além dos afazeres domésticos usou a criatividade em costuras, artesanatos, bordados, crochê e pinturas. Quando jovem, atuou na função de enfermeira para ajudar ao próximo.

Minha irmã ajudou seu marido cuidar do pai, já dessomado, durante 1 ano e 7 meses. Também nonagenário, ele viveu até os 95 anos. Tinha um grau de lucidez muito bom. Os caminhos do grupocarma se entrecruzam de modo inevitável e ninguém se distancia (700 Ex pág. 403).

Em geral, a pessoa precisa demonstrar algum merecimento evolutivo, ou interassistencial, para poder continuar vivendo prolongadamente nesta dimensão respiratória, somática, intrafísica, sobrevivendo a doenças, contratempos e acidentes de múltiplas categorias até à quarta idade biológica, com autolucidez construtiva (DAC p. 667).
Segundo Vieira, a quarta idade biológica é o inverno existencial. Entretanto, há flores de inverno. A Serenona Manacá é uma flor de inverno formosíssima (LO. p.754).


CONSIDERAÇÕES PARCIAIS

No início, com a assunção do meu sogro totalmente dependente, nos sentimos impotentes, impacientes e temerosos, mas, paradoxalmente, firmes e amparados para enfrentar a nova jornada. Ele tinha boa saúde, nunca fumou ou usou bebida alcoólica e sempre teve a alimentação regrada.

Foi criado no campo, na lida com gado, trabalhando de sol a sol. Sua cognição estava comprometida, sua lucidez se resumia apenas na memória presente e no que seus olhos avistavam naquele momento. Por hipótese, inferimos que sua vitalidade somática é decorrente do estilo de vida que teve.

O mais difícil foi cuidar de alguém sempre dinâmico, autônomo, provedor e protetor nessa vida e que, na quarta idade, ocupou posição no cenário familiar de modo inverso, carecendo de cuidados.

As energias da nossa casa mudaram, ficaram mais sensíveis, gravitantes, ao mesmo tempo em que constatamos certa acalmia em nós. Compreendemos a importância de reconciliações grupocármicas, das recins e recéxis.

Sua dessoma, em setembro de 2022, deixou um vazio em nossas vidas. Como legado, deixou o exemplo do seu bom humor permanente e um largo sorriso, nos dando a sensação que estava tudo bem. Considero que foi completista, nos presenteando também com a chance de nos reconciliar nesta vida.

A reconciliação se fazia necessária devido a mágoas pendentes entre nossa família e ele, causadas pela sua ausência desde que assumiu outra família, isolando-se de todos nós, dando notícias eventuais. Seu retorno se deu após quase 20 anos, momento de nos reconhecer como família e nos reconciliar.

Com base nessa vivência, compreendemos a importância de estar próximos dos nossos idosos, como cuidador ou não, para que eles se sintam seguros e protegidos. Saibamos da importância na escolha de alguém para cuidar deles, que seja de confiança, paciente, compreensivo e fraterno.

Questão intrigante: Será que os nonagenários, ou os longevos, alcançam esta idade pelo fato de estarem sendo cuidados pelos demais idosos da própria família?

É sabido que afetividade, atenção e cuidado com aqueles que amamos pode prolongar a vida.

# Palavras chave: Nonagenários; Noventões; Longevidade; Superidosos; Interassistência; Aceitação; Reconciliação, Perdão.

 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Autora

Penha Mendonça

Graduada em Biologia, especialização em Coordenação Pedagógica e Gestão de Pessoas. Voluntária do IIPC-MS, Comunicons, Pré-IC Serenus e pesquisadora dos Colégios Invisíveis da Pensenologia e Longevologia.

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